Estás a abrir um negócio, a trabalhar como freelancer, ou simplesmente cansado de fazer facturas em Word? Já percebeste que precisas de "um software de facturação certificado" — mas não tens bem a certeza do que isso significa, quais são as diferenças entre as opções disponíveis, nem quanto deves gastar.

Este guia responde a essas perguntas de forma directa. Sem marketing, sem comparações falsas, sem listas intermináveis de funcionalidades que nunca vais usar.


Quem é obrigado a usar software de facturação certificado?

A obrigatoriedade não é universal — mas abrange mais gente do que a maioria pensa.

És obrigado se:

  • O teu volume de negócios ou de vendas ultrapassou €50.000 no ano anterior
  • Já utilizas um programa informático para emitir facturas (mesmo que não soubesses que havia regras)
  • Tens contabilidade organizada (obrigatório para empresas com volume de negócios acima de €200.000)

Não és obrigado (por enquanto) se:

  • Emites poucas facturas por ano e ainda estás abaixo do limiar de €50.000
  • Fazes facturas manuais em papel com numeração sequencial

Na prática: se já usas qualquer ferramenta digital para facturar — Excel, Word, um template online — estás tecnicamente obrigado a usar software certificado. A AT tem vindo a apertar a fiscalização, e a tendência é que os limiares baixem com o tempo.

A coima por não cumprir vai de €200 a €3.750 por infracção, dependendo da dimensão do negócio e da gravidade da situação.


O que significa "certificado pela AT"?

A Autoridade Tributária certifica software de facturação para garantir que o programa cumpre um conjunto de requisitos técnicos e de integridade de dados. Não é um selo de qualidade — é uma garantia de conformidade legal.

O que a certificação assegura:

  • Numeração sequencial inalterável — uma vez emitida, a factura não pode ser apagada ou alterada sem registo
  • ATCUD — código único de documento gerado automaticamente, obrigatório desde 2023
  • QR Code — impresso em todas as facturas para validação pela AT e pelos consumidores
  • SAF-T/PT — ficheiro de exportação de dados contabilísticos que pode ser solicitado pela AT em qualquer momento
  • Comunicação de séries — as séries de documentos têm de ser registadas no Portal das Finanças

Um software não certificado pode ter um design bonito, um preço baixo, ou imenso marketing — mas se não estiver na lista da AT, não podes usá-lo para facturar legalmente.

Como verificar se um software é certificado

Acede a e-fatura.portaldasfinancas.gov.pt e procura a lista de "Programas de Faturação Certificados". Podes pesquisar por nome do software ou por número de certificação. Cada software certificado tem um código atribuído (ex: 1234/AT) que aparece no rodapé das facturas emitidas.


Critérios para escolher o software certo

A certificação é o requisito mínimo. Depois disso, o que deve pesar na decisão:

Facilidade de uso

Se demoras 10 minutos a emitir uma factura, o software está a trabalhar contra ti. Procura interfaces limpas, fluxos simples e que não te obriguem a perceber contabilidade para usar o dia-a-dia.

Preço e modelo de custo

Os preços variam muito — de gratuito a mais de €50/mês. Atenção ao que está incluído: alguns cobram por utilizador, outros por volume de documentos, outros por funcionalidades extra (stock, multi-empresa, etc.). Calcula o custo real para o teu volume mensal antes de escolher.

Funcionalidades essenciais vs. acessórias

As obrigatórias: ATCUD, QR Code, SAF-T automático, comunicação de séries. As úteis dependem do teu negócio: gestão de stock, orçamentos, recibos verdes (para trabalhadores independentes), multi-moeda, integração com contabilidade.

Cloud vs. desktop

Software em cloud acedes de qualquer dispositivo, os dados ficam guardados automaticamente, e as actualizações são feitas pelo fornecedor (incluindo actualizações legais). Software desktop requer instalação e manutenção. Para a maioria dos freelancers e PMEs, cloud é a escolha prática.

Suporte em português

Parece óbvio, mas confirma. Suporte por e-mail com resposta em 48h pode ser muito pouco quando tens uma urgência antes de fechar negócio.


O mercado PT em 2026: quem é quem

Moloni

Para quem: freelancers, micro e pequenas empresas. Planos a partir de ~€8/mês. Destaque pela interface limpa, boa integração com e-commerce (Shopify, WooCommerce) e módulo de stock. Muito usado por quem vende online.

InvoiceXpress

Para quem: freelancers e pequenas empresas com volume médio de documentos. Planos a partir de ~€9/mês. Interface directa e sem curva de aprendizagem. Bastante popular entre profissionais liberais e consultores.

Cegid Vendus

Para quem: retalho e restauração. Inclui POS (ponto de venda) integrado. Preços variáveis conforme o módulo. Solução mais completa para negócios físicos com caixa registadora.

Jasmin Express

Para quem: quem quer começar sem custos. Gratuito até um determinado volume de documentos. Da PRIMAVERA BSS, empresa portuguesa com longa história no mercado. Boa opção para quem está a testar as águas.

PHC GO

Para quem: empresas com necessidades mais complexas — multi-empresa, gestão de projectos, CRM integrado. Preços acima da média. Não é a primeira escolha para freelancers.

TOConline

Para quem: especialmente pensado para trabalhar com TOC (Técnicos Oficiais de Contas). Interface com lógica contabilística, boa para quem tem contabilidade organizada e trabalha em conjunto com o contabilista.

weoInvoice

Para quem: freelancers e pequenas empresas que querem simplicidade máxima. Interface minimalista, fácil de usar no mobile. Menos funcionalidades que os concorrentes maiores, mas suficiente para quem precisa só de facturar.

Sage

Para quem: empresas médias com processos mais estruturados. Solução robusta com ERP integrado. Preço e complexidade acima do que faz sentido para quem está a começar.

Portal das Finanças (opção gratuita)

O Portal das Finanças disponibiliza uma funcionalidade de emissão de facturas gratuita. A limitação é clara: não substitui um software de gestão, não tem dashboard, não permite gerir clientes ou controlar pagamentos, e a experiência de uso é pouco amigável. Serve para situações muito pontuais ou para quem emite menos de meia dúzia de documentos por mês.


Qual escolher conforme o perfil

Freelancer / trabalhador independente

Prioridade: simplicidade e preço baixo. InvoiceXpress, weoInvoice, Moloni ou Jasmin Express (gratuito para começar) são as opções mais directas. Verifica se o software suporta recibos verdes — nem todos o fazem de forma nativa.

Empresa com gestão de stock

Moloni é das opções mais completas nesta área para PMEs. Cegid Vendus se tiveres ponto de venda físico.

E-commerce

Moloni tem as melhores integrações com plataformas de loja online. InvoiceXpress também funciona bem via API para quem tem desenvolvimento próprio.

Quem trabalha com contabilista

TOConline facilita a partilha de informação com o TOC. Jasmin Express também tem boa integração com o ecossistema PRIMAVERA, muito usado por contabilistas.


FAQ

Sou obrigado a usar software de facturação certificado?

Depende. Se o teu volume de negócios ultrapassou €50.000 no ano anterior, sim. Se já usas qualquer programa informático para facturar, também. Abaixo desse limiar e sem software digital, podes emitir facturas manuais — mas com regras estritas de numeração e conservação.

Posso usar o Portal das Finanças para facturar?

Sim, é uma opção legal e gratuita. Mas é limitada: sem gestão de clientes, sem controlo de pagamentos, sem dashboard, sem exportação simples. Para negócios com mais do que alguns documentos por mês, torna-se rapidamente impraticável.

Qual o software de facturação mais barato em Portugal?

O Jasmin Express tem um plano gratuito, que é suficiente para volumes reduzidos. Entre os pagos, Moloni e InvoiceXpress têm planos de entrada a volta dos €8-9/mês.

O que acontece se usar software não certificado?

A AT pode aplicar coimas entre €200 e €3.750. Além da multa, as facturas emitidas podem não ser aceites fiscalmente pelos teus clientes, o que gera problemas adicionais, especialmente em contexto B2B.

Como verifico se o meu software é certificado?

Acede ao Portal das Finanças e consulta a lista oficial de programas certificados. O software certificado deve ter o número de certificação visível no rodapé das facturas que emite.

Preciso de software se sou trabalhador independente?

Se emites recibos verdes pelo Portal das Finanças, esse sistema já é certificado e podes não precisar de mais nada. Se facturares com software próprio e o teu volume ultrapassa €50.000, o software tem de ser certificado.

O software trata do SAF-T automaticamente?

A maioria dos softwares certificados gera o ficheiro SAF-T/PT automaticamente. Deves confirmar se a exportação é feita com um clique ou se requer configuração adicional — isso varia entre fornecedores.


Experimenta o Abilioo

O Abilioo é certificado pela AT, simples de usar e pensado para quem está a começar. Facturação sem complicações — experimenta grátis.

Começar grátis com o Abilioo →


Fontes

Experimenta o Abilioo

Simplifica a tua contabilidade — fiscalidade, IVA, IRS e muito mais.

Começar agora