Desde 1 de janeiro de 2026, o Salário Mínimo Nacional (SMN) subiu para 920€ brutos por mês. São mais 50€ face aos 870€ de 2025, um aumento de 5,7% que abrange cerca de 25% dos trabalhadores portugueses.

Mas 920€ brutos não são 920€ na conta. Há descontos a fazer, há subsídios a somar, e há um contexto mais largo que vale a pena perceber — sobretudo se estás a negociar emprego, a gerir uma equipa, ou simplesmente a querer perceber o que te espera no recibo de vencimento.

Este artigo responde a tudo isso.


O que mudou em 2026

O valor de 920€ não é uma surpresa. Faz parte de um acordo tripartido assinado em 2025 entre o Governo, a UGT e as confederações patronais, que define o caminho até 2028:

  • 2026: 920€
  • 2027: 970€
  • 2028: 1.020€

Isto dá previsibilidade a trabalhadores e empresas — todos sabem o que aí vem, podem planear com antecedência.

O aumento de 5,7% em 2026 está ligeiramente acima da inflação prevista, o que significa um ganho real de poder de compra, ainda que modesto.


Quanto recebes na prática: o salário líquido

A pergunta que toda a gente faz: "920€ brutos, mas quanto fica na conta?"

O desconto obrigatório para um trabalhador por conta de outrem é a TSU (Taxa Social Única) de 11% sobre o salário bruto. Não há mais nada a descontar no caso do salário mínimo — e aqui entra uma boa notícia.

Isenção de IRS

O salário mínimo fica abaixo do mínimo de existência, que em 2026 corresponde a 12.880€ anuais (920€ × 14 meses). Quem aufere o SMN não paga retenção na fonte de IRS — o rendimento anual não chega ao limiar tributável.

O cálculo:

Valor
Salário bruto mensal 920,00€
TSU (11%) − 101,20€
Retenção IRS 0,00€
Salário líquido mensal 818,80€

No final do mês, recebes 818,80€ — esse é o número real.


O que custa ao empregador

Do outro lado da equação está a empresa. O empregador não paga apenas os 920€ — paga também a TSU patronal de 23,75%.

Valor
Salário bruto 920,00€
TSU patronal (23,75%) + 218,50€
Custo total para a empresa 1.138,50€

Ou seja, cada trabalhador ao salário mínimo custa à empresa cerca de 1.138,50€ por mês — mais de 200€ acima do que o trabalhador recebe líquido. É um dado relevante para qualquer decisão de contratação.


Os 14 meses: subsídios de férias e de Natal

O salário mínimo de 920€ é pago 14 vezes por ano — 12 meses normais, mais subsídio de férias e subsídio de Natal, ambos no valor de um mês de salário.

Isto significa que o rendimento bruto anual de quem recebe o SMN é:

920€ × 14 = 12.880€/ano


E o subsídio de alimentação?

O subsídio de alimentação não faz parte do salário mínimo em si, mas é pago pela maioria das empresas e tem limites de isenção fiscal. Em 2026, os valores de referência são:

  • Em dinheiro: 6,15€/dia (acima deste valor, o excedente é tributável)
  • Em cartão de refeição: 10,46€/dia (limite de isenção mais alto)

Se trabalhares 22 dias por mês, o subsídio de alimentação em cartão pode representar mais 230€ mensais, o que faz uma diferença real no orçamento.


Como chegámos aqui: a evolução histórica do SMN

O salário mínimo português quase duplicou na última década. Vê a trajectória:

Ano Salário Mínimo
2016 505€
2017 557€
2018 580€
2019 600€
2020 635€
2021 665€
2022 705€
2023 760€
2024 820€
2025 870€
2026 920€

De 505€ em 2016 para 920€ em 2026 — um crescimento de 82% em dez anos. Nem sempre acompanhou a inflação no imediato, mas a tendência de longo prazo tem sido de ganho real de poder de compra.


Portugal no contexto europeu

Onde fica Portugal na comparação com os seus vizinhos e parceiros europeus?

País Salário Mínimo (2026, aprox.)
Portugal 920€
Espanha ~1.184€
França ~1.802€
Alemanha ~2.054€

Portugal ainda está abaixo da média da Europa Ocidental, mas fechou algum espaço nos últimos anos. A diferença face a Espanha, por exemplo, era muito maior há uma década — e o acordo para atingir os 1.020€ em 2028 continua a aproximar Portugal dos seus parceiros mediterrânicos.

Vale notar que o custo de vida varia bastante entre países, o que torna comparações directas imprecisas. Um salário de 920€ em Lisboa tem um poder de compra diferente do que o mesmo valor em Berlim.


Regiões Autónomas: Açores e Madeira

Os Açores e a Madeira têm autonomia legislativa em matéria laboral e podem fixar um salário mínimo regional superior ao nacional. Nos últimos anos, ambas as regiões têm aplicado valores acima do SMN continental — se trabalhas nestas regiões, confirma sempre o valor em vigor junto do governo regional.


O IAS e a sua relação com o salário mínimo

O IAS (Indexante dos Apoios Sociais) de 2026 é 537,13€. Este valor serve de referência para o cálculo de prestações sociais, pensões e outros apoios — e é distinto do salário mínimo, ainda que ambos tendam a subir ao longo do tempo.

O salário mínimo de 920€ corresponde a cerca de 1,7 vezes o IAS — uma relação que se mantém há vários anos como indicador da distância entre o patamar mínimo de trabalho e o patamar mínimo de subsistência.


Quem recebe o salário mínimo?

Estima-se que cerca de 25% dos trabalhadores portugueses aufiram o salário mínimo ou um valor muito próximo. É um número expressivo — representa mais de 1 em cada 4 trabalhadores.

Sectores com maior concentração de trabalhadores ao SMN incluem comércio a retalho, hotelaria e restauração, limpeza e segurança, agricultura e serviços domésticos. Em muitos destes sectores, o salário mínimo funciona na prática como referência de mercado, não apenas como piso legal.


Perguntas Frequentes

1. O salário mínimo de 920€ é bruto ou líquido?

É bruto. O valor que recebes na conta depois de descontar a TSU (11%) é aproximadamente 818,80€.

2. Tenho de pagar IRS com o salário mínimo?

Não. Quem aufere o SMN fica abaixo do mínimo de existência (12.880€/ano) e está isento de retenção na fonte. No final do ano, na declaração de IRS, o resultado será normalmente zero a pagar ou mesmo reembolso, dependendo da situação pessoal.

3. O subsídio de férias e de Natal também são 920€?

Sim. Cada subsídio equivale a um mês de salário — portanto, 920€ brutos cada, sujeitos à mesma TSU de 11%.

4. E se trabalhar a tempo parcial?

O salário mínimo é calculado proporcionalmente ao horário. Se trabalhares 20 horas semanais (metade do horário completo de 40h), recebes metade — 460€ brutos.

5. O meu patrão pode pagar menos do que 920€?

Não, salvo situações específicas como contratos de estágio ou aprendizagem com regimes próprios. Para trabalho normal, 920€ é o piso legal — qualquer valor abaixo é ilegal e pode ser denunciado à ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho).

6. O salário mínimo vai continuar a subir?

Sim, pelo menos até 2028. O acordo tripartido prevê 970€ em 2027 e 1.020€ em 2028. A partir daí, dependerá de novas negociações.

7. Trabalho nos Açores ou na Madeira. Qual é o meu salário mínimo?

As regiões autónomas podem fixar valores superiores ao continental. Consulta os decretos regionais em vigor — habitualmente são publicados no início de cada ano.

8. O subsídio de alimentação conta para o salário mínimo?

Não. O subsídio de alimentação é uma prestação complementar e não é considerado para efeitos do cumprimento do salário mínimo. A empresa tem de pagar 920€ de salário base, independentemente do subsídio de alimentação que atribua.


O que esperar nos próximos anos

Com o acordo tripartido em vigor, a trajectória está definida:

Ano SMN previsto Aumento estimado
2026 920€ +50€ (+5,7%)
2027 970€ +50€ (+5,4%)
2028 1.020€ +50€ (+5,2%)

Chegar aos 1.020€ em 2028 seria um marco simbólico — pela primeira vez, o salário mínimo português ultrapassaria os 1.000€. Se a inflação se mantiver moderada, significaria também um ganho real de poder de compra ao longo destes três anos.


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Fontes:

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